Pedalando em direção ao sol



"Sempre que eu vejo um adulto de bicicleta, volto a confiar no futuro da raça humana."

H.G. Wells

Novas mensagens


O sol estava forte naquele dia.
Ele pedalava sua bicicleta alugada,
Quando o celular tocou.
Eram novas mensagens.
Freou e foi vê-las.
Ficou ali parado por um tempo.
Na verdade mesmo,
Ele queria era mostrar pra todos,
Aquela sua nova bermuda listrada...

As bordadeiras

Nanquim - 2017

Janelas

Nanquim e cor digital - 2005

Pedacinho do céu

Nanquim - 2006



VIVA A ARTE!!



Um só



Estavam ali,
Aqueles dois,
Como um só,
Uma só alma,
Um só amor,
Incondicionais.

Desprovidos de todo o contexto terreno,
Unidos pela necessidade de se amarem,
Únicos naquela manhã de sol.

Abraçados em uníssono,
Serenos por terem um ao outro,
Aquele sentimento puro,
Que basta para existirmos.

Meus olhos se debruçaram,
Da janela de minha alma,
Escancarada para aquela cena
Que me paralisou por um tempo.

Até o momento que descobri,
Que frações de um olhar
E a plenitude de uma memória,
Podem nos preencher para a eternidade.

CM
2017

O Patinete e eu

Nanquim - 2017

Música em P&B

Nanquim - 2017

Morphe

Nanquim e cor digital - 2005

Saindo do quadrado cinza



Era um dia nublado daqueles de um cinza profundo,
quando aquela esfera negra pairou sobre meu prédio.
Corri como um louco para o terraço.
Sempre fui um curioso.
Eu ainda estava muito ofegante e tentando entender o que era aquilo,
quando uma porta reluzente apareceu na superfície desse objeto.

A luz que saia dela, me forçava a fechar um pouco meus olhos de tão forte que era.
Uma luz de um azul turquesa intenso que eu jamais conseguiria traduzir em tintas.
Logo uma ponte de luz foi se materializando da porta até os meus pés.
Confesso que fiquei bastante tenso no início,
mas depois parecia que aquela luz ia me acalmando, conversando com a minha alma
e então eu relaxei.

Percebi naquele exato momento o quanto a minha vida estava quadrada,
sem graça e patética.
Percebi que eu estava vivendo em um cubo.
Vida hermética, limitada, quase uma cela, uma prisão, 
apenas com a diferença que eu tinha a chave da porta.

Como aquela cidade havia me padronizado,

Me enclausurado em pensamentos retos e pálidos,

Meus olhos que antes eram duas lanternas iluminando o meu futuro,
tinham se transformado em dois buracos fundos pelos quais a minha alma
ainda em um tênue lampejo, conseguia ver um resíduo de vida.

Eu havia passado a usar a mesma roupa que todos.
Acordava no mesmo horário padrão.
Mesmo ônibus. Mesmo assunto com as mesmas pessoas.
Tudo era igual a todos.
Eu havia secado por dentro.

Parecia um filme passando diante de mim.

Ali estava na ponta dos meus pés aquela luz serene me chamando para o desconhecido.
Aquela ponte de luz me convidando para a mudança.
Me senti por um momento um privilegiado.

Percebi aquela cidade verdadeiramente morta.
Um túmulo que havia me encerrado e me tirado o que eu era na essência.

Aquela luz silenciosamente  me convidava a entrar na esfera negra.

Dei o primeiro passo. Logo, aquela ponte de luz acalentou meus pés,
minhas pernas, meu tronco, meus braços e finalmente a minha mente.
Um alívio como há muito eu não experimentava, me tomou.
Esbocei um sorriso. Não queria que aquela sensação terminasse nunca.
A cada passo que eu dava e mais perto eu chegava da porta de luz, mais
e mais aquela alegria me tomava.

Antes de entrar de vez, olhei de relance a cidade cinza e quadrada.
Encerrada na mesmice de suas linhas retas.

O meu futuro agora pertenceria ao novo...

E finalmente a porta se fechou atrás de mim.

CM
2018

O ENFRENTAMENTO


Buraco criativo

Eu tenho o hábito de ficar muito isolado criando. Sem vontade de ver pessoas(só animais), sem vontade de ir pra qualquer lugar. Sou muito comodista nesse aspecto. Meu buraco criativo é onde adora estar. Uns lápis, tintas, pincéis, papéis e um bom vinho e pronto... Vou ficando, ficando... Até a vida(pessoas) tocar a sirene vermelha... Aí está na hora de vê-la (a vida) (RS) mesmo, as vezes, a contragosto. "Você precisa ver o mundo!Conversar com os outros!" elas dizem... Em muitos momentos acho todos "um saco"... Alguns irão dizer que isso é arrogância, outros que estou a um passo da depressão, mas acho que eu sempre tive tendências fortes para a reclusão. Pra falar a verdade, não penso em ser rico, famoso, usar roupa de grife e falar com um monte de gente... Isso tudo pra mim é balela e por tudo que vi, só levam as pessoas pro abismo. Por isso sou apaixonado por caras como o Van Gogh. O cara era sozinho, não estava nem aí pra nada, produzia pra caralho, ninguém enchia o saco dele porque achavam ele muito estranho e antissocial. Tudo tem um preço. Prefiro ficar no meu "buraco criativo" do que aguentar certos papos de pessoas chatas, exaustivas, falando de coisas imbecis ou fofocando sobre a vida alheia. Prefiro estar, se não tiver jeito de ficar isolado, com gente criativa, que borbulhe ideias, mas infelizmente o mundo está engessado e hoje tem muito poucas pessoas assim pra conversar. Sinto falta as vezes do meu amigo Kastello, que já partiu dessa pra melhor. Como era bom nossos cafés, nos nutríamos de ideias. Ficávamos horas conversando sobre quadrinhos, cinema e ríamos pra cacete da imbecilidade da vida e conseguimos criar algumas HQs que até hoje me inspira. Sim, prefiro ficar no meu "buraco criativo", pensando e repensando essa merda toda chamada vida.    


Zine Roído


Instagram

Metrônianos Blues

Acrílica sobre canvasboard - 30 x 40 cm - 2016

Entre os azuis
Beje pessoa no canto
Esperando a estação da vida chegar
Pra se encaminhar novamente
Para seu cubo chamado lar
Recanto de solidão

Esperar a noite passar
E de novo
Na manhã de sol cálido
Entrar naquele vagão pálido
Gelado de vidas
E esperança

Míseros autômatos
À procura de reles sobrevivências
Futuros incertos
Feitos de trilhos tortos
Os levando para lugares mortos
Sempre esperando a estação da vida chegar...

Nos vagões azuis
São eles,
Os Metrônianos Blues.

Instagram

Eu entorto, tu entortas, ele entorta...


É assim a vida do autônomo e principalmente a do autônomo artista. Com tantos problemas sérios no país e no mundo, sempre penso que a arte é uma das soluções ou talvez uma das mais coerente para que as pessoas se harmonizem uma com as outras ao redor deste planeta. A arte tem o poder de sensibilizar os corações mais duros ou os mais insanos. E nisso eu tiro o meu "chapéu" para a música. Ela entra sem pedir licença e transforma tudo. Transforma um pequeno momento, uma parte do dia, um ano inteiro ou mesmo uma vida toda. Também uma bela pintura em uma parede pode ter um efeito acalentador na atmosfera de uma casa proporcionando paz. Um espetáculo de dança pode promover mudanças no espectador em querer dar saltos maiores. Uma peça de teatro ou um filme podem fazer as pessoas pensarem sobre um determinado assunto por meses. Semana passada fui assistir o desenho animado "Tito e os pássaros" que tratava do tema "O medo". Acredito que todos no cinema foram para as suas casas pensando sobre como eles poderiam se livrar dos seus medos. E então porque todos nós, os artistas que promovemos tanta beleza e sentimentos de otimismo, reflexão, espanto, coragem ou harmonia vivemos "entortados" pela vida?  Será essa a razão ou a centelha para produzirmos ARTE? Será essa a genes de tantos universos formados dessa matéria? No meu caso, me pego muitas e muitas vezes criando melhor em momentos com alta turbulência emocional. Penso nisso muito e a todo momento a resposta que me vem é de que doamos às pessoas parte de nossa energia vital para que elas se nutrem um pouco dessa beleza chamada arte. Isso não é uma vontade... É UMA MISSÃO! UM CHAMADO! Já dizia a atriz Fernanda Montenegro. Somos chamados para sermos os artesãos de um mundo melhor, levando a todos a arte que fazemos. Nem sempre ela será tão bela, mas tem que provocar de alguma forma, as vezes é no feio que se dá valor ao belo. Nem sempre ela fará rir, mas no choro também se descobre caminhos verdadeiros. Nem sempre ela fará suspirar de emoção, mas muitas vezes é no silêncio que se avança na vida. Mas de uma forma ou de outra, nós os artistas, sempre estaremos nos entortando para promover isso ao mundo, porém jamais seremos quebrados pois aprendemos que árvores fortes criam raízes fortes e que frutos maduros têm o tempo certo para serem saboreados e que uma flor só atrai borboletas no tempo certo de desabrocharem. 
ARTE É O OXIGÊNIO PARA UM MUNDO MELHOR!!!

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Sonoros sentimentos

Aquarela, nanquim, gouache e lápis de cor


Aqueles ruídos
Cutucavam-lhe a alma
E lhe surtava de todo o equilíbrio,

Um simples voo de mosca,
Um alfinete caindo,
Era uma hecatombe.

Por detrás da vidraça,
Mirava o esvanecer daquele dia,
Procurando o silêncio da noite,

Tranquilizar-te...
Acalmar-se  de tantos pensamentos,

Ruídos da alma contida,
Isso era só uma saída,
Para um final de tarde sofrido.

Silenciar-se...

E de novo no amanhã,
De um sol levemente aveludado,
Vivenciar novamente,
Aqueles sons de pequenas gotas,
A gotejar-lhe na alma,
Sonoros sentimentos,
De espera contínua.

Do infinito dia que passa.

CM
2018